SINOPSE
Partindo da obra da família, de Valério Romão, construímos um espetáculo sobre as transformações atuais na estrutura e dinâmica das famílias. Com dramaturgia criada pelo autor, serão cinco dessas histórias que o TEATRÃO levará a cena a partir de 9 de dezembro, em duas partes e em dias distintos. Os cinco episódios familiares têm uma estrutura fabulista, mítica e fantástica, embora paradoxalmente quotidiana. Os episódios não estão propriamente localizados nesta ou naquela época, não fazem parte do passado embora também ali estejam, nem são contemporâneos, embora reconhecíveis no dia a dia. Sem ter qualquer pretensão ensaística ou formal, o tratamento melodramático, no melhor sentido da palavra, tem uma estrutura épica que, de forma inadvertida ou propositadamente, sabe-se lá, desassossega o recetor. Nas cinco casas que mostramos, os pais são todos Henriques, as mães são todas Martas, os filhos Rogérios, Antónios, Ritas e Raqueis e os cães Neros. As fendas na construção familiar são as de todos nós, os velhos a quem não conseguimos atender, os novos a quem não conseguimos educar, a paixão que não conseguimos manter, o futuro que não podemos vislumbrar. Da família é uma espécie de condomínio à beira de um ataque de nervos cujo ansiolítico é a fantasia e que achamos dever prescrever aos espectadores em dose dupla.
Também a partir deste desassossego, que logo à partida nos desequilibrou na aproximação à obra, queremos propor um ciclo de atividades que de alguma forma abordem assuntos que a obra nos suscita. Não para desvendarmos qualquer mistério, já que não é mister da arte deslindar charadas, mas socializar angústias.
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
Dramaturgia: Valério Romão
Encenação: Marco António Rodrigues
Assistência de Direção: Mariana Pereira
Interpretação: Cláudia Carvalho, Isabel Craveiro, Hugo Inácio, João Santos, Margarida Sousa, Pedro Lamas e Sofia Coelho
Desenho de Luz: Jonathan Azevedo
Cenografia e Figurinos: Filipa Malva
Composição e direção musical: Victor Torpedo
Sonoplastia: Pedro Fonseca / Coletivo AC e Nuno Pompeu
Apoio Vocal: João Rui
Apoio ao movimento: Ana Figueiredo
Design Gráfico: Paul Hardman e João Oliveira
Fotografia: Carlos Gomes
Cabeleireiro: Carlos Gago (Ilídio Design)
Direção Técnica: Jonathan Azevedo
Direção de Cena: Afonso Abreu, Diogo Barbosa, Diogo Simões, David Meco e Mariana Pereira
Operação de Luz e Som: Jonathan Azevedo e Nuno Pompeu
Construção e Montagem de cenário: José Baltazar, Josh Ford, Manuel Carvalho, Paul Yem, Tiago Antunes e Nuno Pereira
Costureira: Albertina Vilela e Lídia Mota
Digitalização da segunda edição da obra "Da Divisão do Trabalho Social" da autoria de Emile Durkheim (1858-1917), traduzida por Eduardo Brandão, e editada por Martins Fontes.
Émile DurkheimCanção utilizada no espetáculo Com que Linhas te Cruzas
Miguel CordeiroRecorte do Diário As Beiras de 20 de outubro de 2022 sobre a criação Os Cadáveres São Bons Para Esconder Minas
Diário As BeirasCurrículo da ficha técnica de O Senhor Biedermann e Os Incendiários, equipe do Teatrão